[AUTORA] CECÍLIA MEIRELES
Poeta, professora, pedagoga e
jornalista, Cecília Meireles (1901 - 1964) nasceu na Tijuca, no Rio de Janeiro.
Foi criada pela avó materna, pois seu pai faleceu três meses antes de seu
nascimento e, sua mãe, antes que ela completasse três anos. Sobre sua maneira
de ver o mundo afirmava: “A noção e o sentimento de transitoriedade de tudo é o
fundamento mesmo da minha personalidade”.
# A vida efêmera e
transitória
Primeira mulher a alcançar destaque no
cenário da poesia brasileira, Cecília Meireles escreveu vários livros de poesia
em que desenvolver as tendências da corrente espiritualista da segunda geração.
Na sua obra destacam-se Espectros (1919), Baladas para El-Rei (1925), Viagem
(1939), Vaga música (1942), Mar absoluto (1956), Retrato natural (1949), Romanceiro
da Inconfidência (1953), Canções (1956) e o livro de poesias infantis Ou isto
ou aquilo (1964).
Sua sensibilidade manifestava-se na valorização da intuição e da emoção como formas de interpretar o mundo. O lirismo delicado que caracteriza sua poesia está intimamente ligado a imagens da natureza (a água, o mar, o ar, o vento, o espaço, a rosa, etc.) do infinito, compondo uma atmosfera de sonho e de fuga.
É o maior exemplo da vertente espiritualista ou intimista do Modernismo. Cecília parte de um certo distanciamento do real imediato e dirige os processos imagéticos para a sombra, o indefinido, o sentimento da ausência e do nada. Herdeira do Simbolismo, retoma aspectos temáticos e formais dos autores simbolistas, produzindo uma poesia de “desencanto e renúncia, nostalgia do Além e mística ansiedade".
A fuga, a fluidez, a melancolia, a serenidade, os tons fumarentos de nebulosidade impregnam toda a sua obra, marcada pelo sentido da transitoriedade, oscilando entre o efêmero e o eterno, segundo afirma a própria escritora: “Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequena, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno. (...) A noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade."
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Ai!
A manhã primorosa
do
pensamento...
Minha
vida é uma pobre rosa
ao
vento.
Passam
arroios de cores
sobre a
paisagem.
Mas
tu eras a flor das flores,
imagem!
Vinde ver
asas e ramos,
na luz
sonora!
Ninguém sabe
para onde vamos
agora.
Os jardins
têm vida e morte,
noite e
dia...
Quem
conhecesse a sua sorte,
morria.
E é nisso
que se resume
o
sofrimento:
cai a flor,
- e deixa o perfume
no vento!
(Cecília Meireles)
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A
vida é apresentada metaforicamente como uma rosa. O eu lírico cria a analogia a
partir da ideia de que os seres humanos se apegam às aparências (à imagem), que
estão destinadas a desaparecer com a passagem do tempo. A regularidade dos
ciclos da natureza (vida e morte, noite e dia) comprova a transitoriedade da
vida. Na última estrofe, revela-se a razão do sofrimento humano: as lembranças
do passado (o perfume da rosa) continuam a existir, mesmo depois de destruição
da forma que as gerou.
Recorrendo
a formas poéticas simples como a cantiga, Cecília Meireles desenvolve temas
como o amor, o tempo, a transitoriedade da vida e a fugacidade das coisas. Em
sua poesia, a natureza marca os ritmos da vida. Resta-nos aceita-los com
tranquilidade.
A
autora escreveu também a obra “Romanceiro da Inconfidência”, em que reconstitui
a história da Inconfidência Mineira e mostra como o olhar do poeta consegue
atribuir novas dimensões à história de um povo e de seu país.



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