[EXERCÍCIOS] "ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA", DE CECÍLIA MEIRELES

 



1. Analise a letra da música de Chico Buarque, tema do filme "Os Inconfidentes": https://www.vagalume.com.br/chico-buarque/tema-de-os-inconfidentes.html

Os trechos da canção foram retirados da obra de Cecília Meireles. Levando em consideração o contexto histórico e cultural, é possível dizer que a autora revisitou a Inconfidência Mineira a partir de qual abordagem?

2. Leia o trecho abaixo.


Ó meio-dia confuso,
ó vinte-e-um de abril sinistro,
que intrigas de ouro e de sonho
houve em tua formação?
Quem ordena, julga e pune?
Quem é culpado e inocente?
Na mesma cova do tempo
cai o castigo e o perdão.
Morre a tinta das sentenças
e o sangue dos enforcados...
— liras, espadas e cruzes
pura cinza agora são.
Na mesma cova, as palavras,
o secreto pensamento,
as coroas e os machados,
mentira e verdade estão.

(...)

(MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência,
Rio de Janeiro: Aguilar, 1972 – fragmento.)

 

O poema de Cecília Meireles tem como ponto de partida um fato da história nacional, a Inconfidência Mineira. Nesse poema, a relação entre texto literário e contexto histórico indica que a produção literária é sempre uma recriação da realidade, mesmo quando faz referência a um fato histórico determinado. No poema de Cecília Meireles, a recriação se concretiza por meio

a) do questionamento da ocorrência do próprio fato, que, recriado, passa a existir como forma poética desassociada da história nacional.

b) da descrição idealizada e fantasiosa do fato histórico, transformado em batalha épica que exalta a força dos ideais dos Inconfidentes.

c) da recusa da autora de inserir nos versos o desfecho histórico do movimento da Inconfidência: a derrota, a prisão e a morte dos Inconfidentes.

d) do distanciamento entre o tempo da escrita e o da Inconfidência, que, questionada poeticamente, alcança sua dimensão histórica mais profunda.

e) do caráter trágico, que, mesmo sem corresponder à realidade, foi atribuído ao fato histórico pela autora, a fim de exaltar o heroísmo dos Inconfidentes.


Texto para as questões 3 e 4.

Fala aos pusilânime

Escrevestes cartas anônimas,
apontastes vossos amigos,
irmãos, compadres, pais e filhos...
Queimastes papéis, enterrastes
o ouro sonegado, fugistes
para longe, com falsos nomes,
e a vossa glória, nesta vida,
foi só morrerdes escondidos,
podres de pavor e remorsos!

Vistes caídos os que matastes,
em vis masmorras, forcas, degredos,
indicados por vosso punho,
por vossa língua peçonhenta,
por vossa voz delatora...
— só por serdes os pusilânimes,
os da pusilânime estirpe,
que atravessa a história do mundo
em todas as datas e raças,
como veia de sangue impuro
queimando as puras primaveras,
enfraquecendo o sonho humano
quando as auroras desabrocham!

Mas homens novos, multiplicados
de hereditárias, mudas revoltas,
bradam a todas as potências
contra os vossos míseros ossos,
para que fiqueis sempre estéreis,
afundados no mar de chumbo
da pavorosa inexistência.
E vós mesmos o quereríeis,
ó inevitáveis criminosos,
para que, odiados os malditos,
pudésseis ter esquecimento..

(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência)

 

3. Assinale a alternativa correta.

a) O emprego da segunda pessoa marca a interlocução no poema, por meio da qual o eu lírico faz uma severa crítica ao uso da força e à exploração humana.

b) O eu lírico critica os homens novos que, envolvidos em revoltas sem fundamento, reproduzem as atrocidades de seus antepassa dos.

c) Os versos deixam claro que a história do Brasil se fez com sangue e sofrimento, mas esses fatos devem ser esquecidos.

d) Privilegiando a função conativa da linguagem, o eu lírico demonstra adesão aos fatos históricos desencadeados por seus interlocutores.

e) Os versos mostram o lado não heroico da Conjuração Mineira, já que se referem aos traidores que fizeram naufragar os planos da revolta.


4. Analise as afirmações e assinale a alternativa correta.

I. Cecília Meireles é reconhecidamente uma poeta de orientação intimista, o que se pode confirmar nos versos transcritos de Romanceiro da Inconfidência.

II. Romanceiro da Inconfidência, pelo viés histórico, dá vez à reflexão sobre questões de natureza política e social.

III. Romanceiro da Inconfidência está ambientado no Brasil-Colônia, à época do ciclo da mineração.


Está correto o que se afirma em:

a) I, apenas.

b) II, apenas.

c) I e II, apenas.

d) II e III, apenas.

e) I, II e III.


Texto para a questão 5.

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...

(MEIRELES, C. Obra Poética.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 – fragmento.)

 

5. O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio histórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a linguagem:

a) A força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras.

b) As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu equilíbrio vinculado ao significado das palavras.

c) O significado dos nomes não expressa de forma justa e completa a grandeza da luta do homem pela vida.

d) Renovando o significado das palavras, o tempo permite às gerações perpetuar seus valores e suas crenças.

e) Como produto da criatividade humana, a linguagem tem seu alcance limitado pelas intenções e gestos.

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