[MOVIMENTO] ARCADISMO
Os homens recuperam seu desejo de encontrar explicações racionais para o mundo à sua volta. O reinado da fé perde força e é substituído pela crença na racionalidade, impulsionada por grandes nomes como Descartes, Voltaire, Diderot, Rousseau e Montesquieu. Para esses filósofos, a razão e a ciência seriam os "faróis" que guiariam o ser humano para longe da ignorância que havia predominado nos séculos anteriores. Com base nessa simbologia, o movimento foi chamado de Iluminista e o período, de Século das Luzes. Em contrapartida, a era medieval ganhou a denominação de Idade das Trevas.
# Curiosidades: Foi nesse período que surgiu a Enciclopédia, que tinha como principal objetivo divulgar os conhecimentos filosóficos e científicos da época.
O vídeo abaixo relembra o que foi o Iluminismo de forma mais aprofundada. Vale a pena assistir!
Na base dos estudos iluministas, se destacavam três elementos: razão, verdade e natureza. Este último se tornou exemplo de concretização da beleza, alcançada pelo equilíbrio de seus elementos. Os artistas da época, então, tomam a natureza como principal modelo a ser imitado.
(O Senhor e a Senhora Andrews, Thomas Gainsborough, 1749)
A obra em questão foi, supostamente, realizada para comemorar o casamento do senhor Andrews. Apesar de ter esse objetivo, o casal recebe destaque central no quadro? Em que ambiente está sendo retratada a cena? Esses jovens parecem pertencer a um ambiente bucólico, ou seja, pastoril?
Observe agora este outro quadro e o poema logo abaixo:
(Pastoral de Outono, François Boucher, 1749)
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Recreios campestres na companhia de Marília
Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?
Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores!
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores!
Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha para,
Ora nos ares sussurrando gira:
Ora nas folhas a abelhinha para,
Ora nos ares sussurrando gira:
Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.
(Bocage)
A quem se dirige o eu lírico e que convite ele faz a essa pessoa? De que maneira a natureza é apresentada nesse poema? Que sensação os verbos utilizados no poema, em geral, transmitem? É possível estabelecer um paralelo entre o poema e a pintura?
Releia o poema "Pintura admirável de uma beleza", de Gregório de Matos:
De que maneira os dois poemas se aproximam?
MAPA MENTAL I
MAPA MENTAL II
# Temas clássicos do Arcadismo:
- fugere urbem: fuga da cidade e da urbanização; afirmação das qualidades da vida no campo.
- aurea mediocritas: mediocridade áurea (dourada); simboliza a valorização das coisas cotidianas, simples, focalizadas pela razão e pelo bom senso.
- locus amoenus: lugar ameno, tranquilo, agradável, onde os amantes se encontram para desfrutar dos prazeres da natureza.
- inutilia truncat: cortar o inútil; princípio muito valorizado pelos poetas árcades, que se preocupavam em eliminar os excessos, evitando qualquer uso mais elaborado da linguagem.
- carpe diem: aproveitar o dia; trata da passagem do tempo como algo que traz o envelhecimento, a fragilidade e a morte, por isso se torna essencial aproveitar com intensidade o momento presente.
Você viu que Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, poetas árcades, participaram da Conjuração Mineira, que recebeu o nome de Inconfidência Mineira por parte do governo. Relembre as principais características desse movimento:
O lema dos inconfidentes "Libertas quae sera tamen" (liberdade ainda que tardia) estampa até hoje a bandeira do estado de Minas Gerais.

# Poemas épicos no Arcadismo
José Basílio da Gama - "O Uraguai"
Poema escrito em versos brancos, ou seja, sem estrofação e sem rimas, porém segue a divisão de um poema épico clássico (proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo). Conta a história da luta travada entre os indígenas que viviam nas missões dos Sete Povos (Uruguai) e o exército luso-espanhol por conta de territórios.
Frei José de Santa Rita Durão - "Caramuru"
Seguiu, em seu poema, a estrutura de poema épico utilizada por Camões em "Os Lusíadas". Conta a história da conquista da Bahia por Diogo Álvares Correia, português que naufragou na região.
As duas obras trazem elementos que serão explorados em seguida no indianismo romântico: fauna e flora nacionais, bem como costumes e tradições indígenas.
Para conhecer um pouco mais sobre a história do Caramuru, você pode assistir ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Na5rqdPpRks
# PARA SABER MAIS!
A poetisa Cecília Meireles retoma os poetas árcades e os acontecimentos do período da Inconfidência Mineira em sua obra Romanceiro da Inconfidência, misturando lirismo e fatos históricos. A obra é uma das leituras obrigatórias da FUVEST deste ano. Para saber sobre ela, acesse o link:









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