Até agora você trabalhou as orações subordinadas substantivas, mas já sabe que ela não são as únicas subordinadas. Observe o período abaixo:
Os jogadores que foram convocados apresentaram-se ontem.
O termo destacado cumpre uma função substantiva? De sujeito, objeto direto, predicativo ou outra? Você provavelmente percebeu que não. Isso porque ela não é uma oração subordinada substantiva, mas sim adjetiva.
Caso você não se lembre dos conceitos gerais referentes às orações subordinadas, acesse o link:
Para compreender as orações subordinadas adjetivas, você precisa relembrar o emprego do pronome relativo. Não se lembra disso? Então veja a postagem abaixo:
ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA: é aquela que possui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente. Vamos compreender esses conceitos no exemplo dado acima. O período composto por duas orações poderia ser um período simples:
Os jogadores convocados apresentaram-se ontem.
Convocados, neste caso, é adjunto adnominal e tem por antecedente o termo jogadores; porém, no exemplo inicial, optou-se por apresentar a mesma informação valendo-se de uma oração adjetiva. A oração passa então a cumprir a função deste adjunto adnominal, sendo introduzida por pronome relativo (que) que retoma o termo anterior (jogadores).
Veja outro exemplo:
I. Esta foi uma redação bem-sucedida.
II. Esta foi uma redação que fez sucesso.
Na oração I, temos um adjunto adnominal (bem-sucedida), de valor adjetivo, caracterizando seu antecedente (redação), de valor substantivo. Na oração II, quem cumpre essa função é uma oração (que fez sucesso), que está subordinada à oração principal e cumpre esse papel de caracterizar, portanto oração subordinada adjetiva. A conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita pelo pronome relativo (que). Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma função sintática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede.
# DICA: um recurso para reconhecer o pronome relativo que: ele pode ser substituído por: o qual – a qual – os quais – as quais.
Exemplo: Refiro-me ao aluno que é estudioso. Refiro-me ao aluno o qual estuda.
- Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas reduzidas, que não são introduzidas por pronome relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio).
Exemplos:
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. (desenvolvida)
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar. (reduzida)
No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome relativo "que" e apresenta verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subordinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há pronome relativo e seu verbo está no infinitivo.
- Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas
Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de duas maneiras diferentes.
• Há aquelas que restringem ou especificam o sentido do termo a que se referem, individualizando-o. Nessas orações não há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas.
• Existem também orações que realçam um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficientemente definido, as quais denominam-se subordinadas adjetivas explicativas.
Vamos utilizar aquele primeiro exemplo para trabalhar esses conceitos.
Os jogadores que foram convocados apresentaram-se ontem.
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
Nesse período, observe que a oração em destaque restringe e particulariza o sentido da palavra jogadores: são jogadores específicos. A oração restringe o universo dos jogadores, isto é, não se refere a todos os jogadores, mas apenas àqueles que foram convocados.
Vejamos a oração de outra forma, com outro sentido.
Os jogadores, que foram convocados, apresentaram-se ontem.
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
Nesse período, a oração em destaque não tem sentido restritivo em relação à palavra jogadores: na verdade, essa oração amplifica uma informação sobre os jogadores para além da informação principal, que é fato de terem se apresentado. Ou seja, todos os jogadores foram convocados e todos se apresentaram.
Observação: A oração subordinada adjetiva explicativa é separada da oração principal por uma pausa, que, na escrita, é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação seja indicada como forma de diferenciar as orações explicativas das restritivas: de fato, as explicativas vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
É necessário levar em conta as diferenças de significado que as orações restritivas e as explicativas implicam. Em muitos casos, a oração subordinada adjetiva será explicativa ou restritiva de acordo com o que se pretende dizer.
Exemplo: Mandei um telegrama para meu irmão que mora em Roma.
No período acima, podemos afirmar com segurança que a pessoa que fala ou escreve tem, no mínimo, dois irmãos, um que mora em Roma e um que mora em outro lugar. A palavra irmão, no caso, precisa ter seu sentido limitado, ou seja, é preciso restringir seu universo. Para isso, usa-se uma oração subordinada adjetiva restritiva.
Exemplo: Mandei um telegrama para meu irmão, que mora em Roma.
Nesse período, é possível afirmar com segurança que a pessoa que fala ou escreve tem apenas um irmão, o qual mora em Roma. A informação de que o irmão more em Roma não é uma particularidade, ou seja, não é um elemento identificador, diferenciador, e sim um detalhe que se quer realçar ou acrescentar.
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